Todo o católico é em Cristo. Todo o católico age em nome de Cristo.

Dado que existe o Corpo Místico, isto é, a Igreja, e que todos os seus membros são como extensões e partes deste corpo, do qual Cristo é a cabeça, todos somos em Cristo. [1]

Isso significa que, citando Santo Agostinho, se somos o conjunto dos dons que Deus nos deu [2], e, citando o Padre Sertillanges, a Vocação é um chamado divino [3], chegamos na seguinte equação: Deus nos fez com características e talentos específicos e com missões específicas, e devemos realizar essa missão utilizando esses dons em ordem a agir para o maior bem do Corpo Místico e de todo o gênero humano.

Somos em Cristo. Somos parte deste Corpo. Logo, todas as nossas boas ações e batalhas, e o bom uso de nossas qualidades deve ser todo ordenado À busca da maior glória de Deus.

Nossos gestos são como que uma extensão da duração do Corpo Místico. É Jesus Cristo agindo pelas nossas mãos. É Jesus Cristo pregando pela nossa boca.

Ora, um corpo é feito de partes.

É natural e salutar, portanto, que essas partes não sejam todas iguais entre si, embora todas em certo sentido se assemelham, aproximem, e até fluem por um mesmo meio.

A Caridade é, para o Corpo Místico, o que o sangue é para o corpo. Coração, mãos, braços, pernas e tronco todos possuem sangue. Mas cada qual tem a sua finalidade, e difere entre si.

No Corpo Místico, há aqueles chamados à uma vida reta, boa, natural, comum; há aqueles chamados a derramarem seu sangue pela Justiça; há aqueles chamados a edificar pelas artes; há aqueles chamados às profundezas do pensamento, ao cultivo do conhecimento, da ciência, dos primeiros princípios, dos mistérios, e que dedicam sua vida à contemplação de Deus e sua imagem; há aqueles chamados à entrega total de si mesmos ao próximo; há aqueles chamados à solidão, para uma profunda intimidade com Deus e contemplação de seus mistérios; há aqueles chamados à austeridade da pobreza e da mortificação total, voluntária, para se tornarem perfeitos no amor; e há aqueles, finalmente, chamados a serem um Cristo crucificado, a administrarem os meios da Vida e conduzirem todas as demais partes deste Santo Corpo à sua plena realização.

***

1. I Coríntios 12,12–27.

2. “Até nas reflexões modestas sobre pequenas coisas, me alegrava de encontrar a verdade. Eu não aceitava ser enganado, tinha boa memória, tinha facilidade para falar, era sensível à amizade; [...] que havia em tal criatura que não fosse digna de admiração e louvor? Mas tudo isso são dons de meu Deus; não os recebi de mim mesmo; são coisas boas, e o conjunto deles constitui o meu eu” — Santo Agostinho, Confissões, Livro I.

3. Pe. A. D. Sertillanges, A Vida Intelectual, cap. I, A Vocação Intelectual.

[CONTINUA]
Todo o católico é em Cristo. Todo o católico age em nome de Cristo. Dado que existe o Corpo Místico, isto é, a Igreja, e que todos os seus membros são como extensões e partes deste corpo, do qual Cristo é a cabeça, todos somos em Cristo. [1] Isso significa que, citando Santo Agostinho, se somos o conjunto dos dons que Deus nos deu [2], e, citando o Padre Sertillanges, a Vocação é um chamado divino [3], chegamos na seguinte equação: Deus nos fez com características e talentos específicos e com missões específicas, e devemos realizar essa missão utilizando esses dons em ordem a agir para o maior bem do Corpo Místico e de todo o gênero humano. Somos em Cristo. Somos parte deste Corpo. Logo, todas as nossas boas ações e batalhas, e o bom uso de nossas qualidades deve ser todo ordenado À busca da maior glória de Deus. Nossos gestos são como que uma extensão da duração do Corpo Místico. É Jesus Cristo agindo pelas nossas mãos. É Jesus Cristo pregando pela nossa boca. Ora, um corpo é feito de partes. É natural e salutar, portanto, que essas partes não sejam todas iguais entre si, embora todas em certo sentido se assemelham, aproximem, e até fluem por um mesmo meio. A Caridade é, para o Corpo Místico, o que o sangue é para o corpo. Coração, mãos, braços, pernas e tronco todos possuem sangue. Mas cada qual tem a sua finalidade, e difere entre si. No Corpo Místico, há aqueles chamados à uma vida reta, boa, natural, comum; há aqueles chamados a derramarem seu sangue pela Justiça; há aqueles chamados a edificar pelas artes; há aqueles chamados às profundezas do pensamento, ao cultivo do conhecimento, da ciência, dos primeiros princípios, dos mistérios, e que dedicam sua vida à contemplação de Deus e sua imagem; há aqueles chamados à entrega total de si mesmos ao próximo; há aqueles chamados à solidão, para uma profunda intimidade com Deus e contemplação de seus mistérios; há aqueles chamados à austeridade da pobreza e da mortificação total, voluntária, para se tornarem perfeitos no amor; e há aqueles, finalmente, chamados a serem um Cristo crucificado, a administrarem os meios da Vida e conduzirem todas as demais partes deste Santo Corpo à sua plena realização. *** 1. I Coríntios 12,12–27. 2. “Até nas reflexões modestas sobre pequenas coisas, me alegrava de encontrar a verdade. Eu não aceitava ser enganado, tinha boa memória, tinha facilidade para falar, era sensível à amizade; [...] que havia em tal criatura que não fosse digna de admiração e louvor? Mas tudo isso são dons de meu Deus; não os recebi de mim mesmo; são coisas boas, e o conjunto deles constitui o meu eu” — Santo Agostinho, Confissões, Livro I. 3. Pe. A. D. Sertillanges, A Vida Intelectual, cap. I, A Vocação Intelectual. [CONTINUA]
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